Em poucos dias o automobilismo, em especial o brasileiro, recebeu várias notícias ruins.
Para começar, F-Futuro ficou no passado. Era a única categoria de aprendizado em carros de Fórmula (aquele mais parecidos com carros de Fórmula-1 e Indy) e já vinha cambaleando por causa dos custos e do baixo número de competidores.
O resultado disso não é difícil imaginar. Cada vez mais segue a tendência de revelações do automobilismo nacional migrarem para as competições de Turismo (por exemplo, a Stock Car), ou simplesmente darem o passo maior que a perna para disputarem corridas na Europa sem o devido preparo.
Outra coisa empacando o esporte a motor nacional é a construção de um autódromo no Rio de Janeiro, que servirá - se sair do papel - de consolo para os órfãos de Jacarepaguá, praticamente extinto desde o Pan 2007 e que agora recebe o golpe final para as Olimpíadas.
Por fim, o automobilismo se envolveu da pior maneira com a Primavera Árabe. Não há como Bernie Ecclestone negar que sua Fórmula-1 esteja atolada até o pescoço com questões políticas. O GP de Sakhir é um trunfo da dinastia sunita daquele país para mostrar à comunidade internacional que as coisas estão bem e que as revoltas xiitas não passam de fatos isolados.
Os pilotos preferiram dizer que o esporte não tem nada a ver com política. Essa postura dá a entender que as histórias de Jesse Owens, do Santos parando guerras e a união de pessoas de diferentes cores na África do Sul por meio do rúgbi não passam de lendas urbanas. E os pilotos não tomaram essas decisões por ingenuidade.
Outros preferiram comparar a segurança barenita à do Brasil, como fez Vettel. É claro que temos vários problemas de segurança (Button foi assaltado aqui há alguns anos, por exemplo), mas não há como comparar casos que dizem respeito à polícia com aqueles que dizem respeito à ONU. Há revoltas e bombas explodindo perto de carros da Force India no Bahrein.
Nesse domingo, todos os pilotos e dirigentes da categoria entram na pista sob uma bandeira preta de boa parte do planeta.
sexta-feira, 20 de abril de 2012
terça-feira, 17 de abril de 2012
Chifrada
Imagine uma arena de tourada onde o espectador assiste tranquilamente ao calvário do touro.Em dado momento o touro escapa, quebra a cerca e vai em direção ao público, que não tem para onde fugir.
Ele pode atingir qualquer pessoa na plateia, inclusive esse espectador.
A sensação do personagem nessa situação é mais ou menos aquela de muitos congressistas de situação e oposição neste momento ao aprovar a CPI do Cachoeira.
domingo, 15 de abril de 2012
Finalmente Rosberg
Uma promessa do automobilismo alemão que demorou 111 corridas para brilhar. Rosberg chegou à Fórmula-1 pela porta da frente, logo na Williams, quando a fase da equipe inglesa não era tão ruim. Os resultados foram bons, mas pouco tempo depois sua habilidade foi ofuscada pelo fenômeno Vettel, e nem mesmo seus resultados na Mercedes nos dois últimos anos – superando facilmente Schumacher – eram suficientes para chamar a atenção do torcedor alemão vidrado no prodígio da Red Bull.
Agora a coisa muda. Vencer logo na terceira corrida prova que Nico e sua Mercedes estão bem. Poderia até ter sido uma dobradinha se não fosse uma falha da equipe no pit stop do alemão mais velho. Apostar em título é precipitado, mas estamos falando de um time que sob a batuta de Ross Brawn levou o inesperado Jenson Button ao título em 2009 ainda sob o nome de Brawn GP.
O filho de Keke Rosberg não enfrentou dificuldades para vencer na China. A corrida foi divertida por causa das ultrapassagens, mas confusa por causa das diferentes estratégias de paradas. Isso porque Sauber e Mercedes resistiram mais na pista sem trocar os pneus, enquanto outras escuderias pararam três vezes. Foi bom negócio para o time alemão, mas não para os suíços, que só marcaram um ponto com Kobayashi.
Apesar da evolução em relação às últimas corridas, a Red Bull não é mais a mesma. Precisou se desdobrar na pista e na estratégia para por Webber no quarto lugar e Vettel no quinto. Podia ser pior. Poderia ser a Ferrari. Os lampejos de boas posições de Massa e Alonso nada mais eram do que umas voltas a mais com pneus duros, nada de evolução no carro. Resultado: nono para o espanhol e mais uma corrida sem pontos para Massa.
Felipe teve um dia tão decepcionante quanto o de Raikkonen, que largou na segunda fila e andou para trás. Ficou de fora da zona de pontos e ainda viu o colega Grosjean chegar numa ótima sexta-posição: o primeiro depois de RBR, Mercedes e McLarens.
Já Bruno Senna fez a lição de casa. Foi o sétimo e já põe 10 pontos de vantagem para o colega de Williams Pastor Maldonado. É um ótimo começo e as outras equipe estão abrindo o olho. Até a Ferrari.
Lá do fundo do grid:
Caterham e Marussia terminaram a corrida uma volta atrás do líder Rosberg, o que é um resultado incrível. Já a Hispania deixa pra lá... Essas três equipes são as piores da categoria, e evidentemente, nenhum dos seis pilotos pontuou em 2012. O detalhe é que apenas SETE pilotos não pontuaram esse ano. O infame grupo é completado por Felipe Massa...
quinta-feira, 12 de abril de 2012
Leia-se
Conselho de Ética estudando a cassação de Demóstenes. Grampo aponta envolvimento entre Cachoeira e Protógenes. Supremo decide legalizar interrupção de gravidez em casos de anencefalia.
Não foi fácil a vida do locutor durante esta semana.
Por sorte, nesses dias Ahmadinejad não fez nenhum discurso polêmico.
Não foi fácil a vida do locutor durante esta semana.
Por sorte, nesses dias Ahmadinejad não fez nenhum discurso polêmico.
quarta-feira, 11 de abril de 2012
O pop não poupa ninguém
A lista de contatos de Carlinhos Cachoeira não para de crescer, segundo os jornais. Os números de telefone eram tantos que o contraventor precisou trocar a caderneta em espiral por uma lista telefônica personalizada.A Polícia Federal começou a suspeitar dessa popularidade toda depois que Cachoeira recorreu ao sétimo ou oitavo perfil no Facebook para abrigar todos os amigos. Aí não tem como não suspeitar, né?
O lobby do empresário inverte as lógicas da democracia tupiniquim, na qual para cada grupo de milhares de eleitores há um parlamentar devidamente eleito para representá-los. A impressão é de que havia um punhado de deputados e senadores eleitos para representar Cachoeira em Brasília.
Por sinal, alguns noticiários têm minimizado as denúncias que levaram Demóstenes Torres ao inferno astral que vive neste momento. O senador agora é "acusado de usar seu mandato para defender interesses do bicheiro". Tá, isso também, mas e as denúncias de recebimento de parte do lucro com o jogo ilegal?
terça-feira, 10 de abril de 2012
Lula e convidados
Terça-feira não tem erro: é dia de visita nas sessões de fonoaudiologia do Hospital Sírio-Libanês.
Ronaldo e Fernando Henrique já pintaram por lá e hoje (10) foi a vez de Gilberto Kassab ser o convidado do que parece ser um programa piloto para um talk show "Lula recebe",
Danilo Gentili, Marília Gabriela e Jô Soares que se cuidem, porque o projeto pode chegar à TV em breve.
Pra quem duvida, é só esperar o ex-presidente recuperar a voz para poder voltar a fazer seus monólogos stand-up nos palanques petistas durante as eleições.
Ronaldo e Fernando Henrique já pintaram por lá e hoje (10) foi a vez de Gilberto Kassab ser o convidado do que parece ser um programa piloto para um talk show "Lula recebe",
Danilo Gentili, Marília Gabriela e Jô Soares que se cuidem, porque o projeto pode chegar à TV em breve.
Pra quem duvida, é só esperar o ex-presidente recuperar a voz para poder voltar a fazer seus monólogos stand-up nos palanques petistas durante as eleições.
segunda-feira, 9 de abril de 2012
Rei da Máfia
O filme O Rei da Comédia (1981), de Martin Scorsese é único na história do cinema.
Não porque talvez seja uma obra-prima da sétima arte, mas porque nele Robert De Niro não interpreta um mafioso.
Pelo contrário. O durão de "Os Intocáveis" e mais durão ainda de "Entrando numa fria" interpreta um humorista! Dá pra acreditar?
Claro, para não sair da rotina ele sequestra uma pessoa, mas fica a dica! Para completar o filme tem no elenco Jerry Lewis.
Não porque talvez seja uma obra-prima da sétima arte, mas porque nele Robert De Niro não interpreta um mafioso.
Pelo contrário. O durão de "Os Intocáveis" e mais durão ainda de "Entrando numa fria" interpreta um humorista! Dá pra acreditar?
Claro, para não sair da rotina ele sequestra uma pessoa, mas fica a dica! Para completar o filme tem no elenco Jerry Lewis.
Contrato de risco
Jogador que custa caro e vem com defeito não dá direito a devolução? São Paulo, Palmeiras e Corinthians devem acionar o Procon em poucos dias.
Os três grandes mal tiraram Fabrício, Wesley e Zhi Zhao da embalagem e já tiveram que levar pro conserto. Será que estava na garantia?
Os três grandes mal tiraram Fabrício, Wesley e Zhi Zhao da embalagem e já tiveram que levar pro conserto. Será que estava na garantia?
terça-feira, 3 de abril de 2012
Secaram os juízes
Depois que o Superior Tribunal de Justiça avaliou que o exame clínico e o popular "olhômetro" não bastam para constatar que o motorista está alcoolizado, não faltaram críticas à decisão considerada pelos próprios juristas "meramente técnica".
A piada mais comum era a de que os ministros estavam bêbados na hora de decidir.
No entanto, os mesmos que apontaram - com razão - o enfraquecimento da Lei Seca e os perigos dessa nova interpretação, não formularam nenhum tipo de crítica aos legisladores, esses sim, os autores dos textos da Lei.
Afinal, nada mais sem noção do que estipular um limite mínimo de seis decigramas por litro de sangue (???) e imaginar que o guarda poderia medi-lo.
A piada mais comum era a de que os ministros estavam bêbados na hora de decidir.
No entanto, os mesmos que apontaram - com razão - o enfraquecimento da Lei Seca e os perigos dessa nova interpretação, não formularam nenhum tipo de crítica aos legisladores, esses sim, os autores dos textos da Lei.
Afinal, nada mais sem noção do que estipular um limite mínimo de seis decigramas por litro de sangue (???) e imaginar que o guarda poderia medi-lo.
sábado, 31 de março de 2012
Em quem você votou?
Antes:
- De qual bancada é o parlamentar em quem você votou?
- Como assim?
- Bancada que defende um grupo de pessoas... Bancada Ruralista, Ambientalista, Evangélica...
Agora:
- De qual operação é o parlamentar em quem você votou?
- Como assim?
- Operação da Polícia Federal... Operação Boi Barrica, Monte Carlo, Castelo de Areia...
- De qual bancada é o parlamentar em quem você votou?
- Como assim?
- Bancada que defende um grupo de pessoas... Bancada Ruralista, Ambientalista, Evangélica...
Agora:
- De qual operação é o parlamentar em quem você votou?
- Como assim?
- Operação da Polícia Federal... Operação Boi Barrica, Monte Carlo, Castelo de Areia...
Três cápsulas de Millôr
"Muita gente aí vivendo por absoluta incompetência para morrer"
"Um humorista não solta um último suspiro. Solta uma última ironia"
"A morte é hereditária"
"Um humorista não solta um último suspiro. Solta uma última ironia"
"A morte é hereditária"
quarta-feira, 28 de março de 2012
Millôr Definitivo
Quatro dias depois de perder o comediante Chico Anysio, o humorismo brasileiro sofreu mais uma dura baixa.
Criador de frases engraçadas e filosóficas, Millôr desenhava em um traço grotesco, traduzia e criava piadas em diversos idiomas e escrevia textos irônicos e repletos de referências literárias e políticas e até publicava piadas com frases em diversos idiomas sem tradução. Buscava aquele humor da risada de canto, não da gargalhada.
Eram tantas as suas frases, que elas servem para ilustrar sua própria morte: "Morrer é uma coisa que se deve deixar sempre pra depois". Na verdade, servem para ilustrar, ironizar e atacar tudo. Até minha admiração por ele: "Como são admiráveis as pessoas que não conhecemos muito bem".
Millôr era basicamente o tradutor oficial de Shakespeare. Em plena Ditadura Militar fundou "O Pasquim" e escreveu ao lado de Flávio Rangel a peça "Liberdade, Liberdade!", que recebeu elogios do jornal The New York Times além de um carimbo de censurado de você sabe quem.
Durante as entrevistas para o meu blog Jornal do Humor, percebi o óbvio: vários humoristas e cartunistas foram influenciados por ele, como Allan Siebber, que descobriu em sua obra uma outra vertente de desenho pela frente, e Marvadão, que o tinha como mestre do calo no raciocínio de tanto filosofar.
Digamos que se Chico Anysio foi o mestre do humor na TV, Millôr foi o mestre do humor no texto escrito.
Embora tenha tido algumas passagens como locutor de rádio ou apresentador de programas de TV, o carioca ficou imortalizados por suas colunas e poemas (em um poema apresentava pessoas rolando escada abaixo com as letras do poema girando, como se fosse o movimento de queda).
Enfim, além do manual de verbetes humorísticos com suas frases (o livro Millôr Definitivo: A Bíblia do Caos), nos falta um Manual do Millôr, para entender sua importância.
Criador de frases engraçadas e filosóficas, Millôr desenhava em um traço grotesco, traduzia e criava piadas em diversos idiomas e escrevia textos irônicos e repletos de referências literárias e políticas e até publicava piadas com frases em diversos idiomas sem tradução. Buscava aquele humor da risada de canto, não da gargalhada.
Eram tantas as suas frases, que elas servem para ilustrar sua própria morte: "Morrer é uma coisa que se deve deixar sempre pra depois". Na verdade, servem para ilustrar, ironizar e atacar tudo. Até minha admiração por ele: "Como são admiráveis as pessoas que não conhecemos muito bem".
Millôr era basicamente o tradutor oficial de Shakespeare. Em plena Ditadura Militar fundou "O Pasquim" e escreveu ao lado de Flávio Rangel a peça "Liberdade, Liberdade!", que recebeu elogios do jornal The New York Times além de um carimbo de censurado de você sabe quem.
Durante as entrevistas para o meu blog Jornal do Humor, percebi o óbvio: vários humoristas e cartunistas foram influenciados por ele, como Allan Siebber, que descobriu em sua obra uma outra vertente de desenho pela frente, e Marvadão, que o tinha como mestre do calo no raciocínio de tanto filosofar.
Digamos que se Chico Anysio foi o mestre do humor na TV, Millôr foi o mestre do humor no texto escrito.
Embora tenha tido algumas passagens como locutor de rádio ou apresentador de programas de TV, o carioca ficou imortalizados por suas colunas e poemas (em um poema apresentava pessoas rolando escada abaixo com as letras do poema girando, como se fosse o movimento de queda).
Enfim, além do manual de verbetes humorísticos com suas frases (o livro Millôr Definitivo: A Bíblia do Caos), nos falta um Manual do Millôr, para entender sua importância.
segunda-feira, 26 de março de 2012
terça-feira, 20 de março de 2012
A vaga de Felipe já já estará aberta
O jornal italiano que chamou Felipe Massa de inútil para a Ferrari está longe de ter dito um absurdo. O aproveitamento do piloto brasileiro não chega perto do desempenho de Fernando Alonso há um bom tempo, e a vaga de segundo piloto da escuderia pode ficar disponível em breve. Mais algumas batidas à toa e tchau.
O Autosprint viajou um pouco ao lançar a candidatura de Jarno Trulli, tentando refazer a pressão do país da bota que já colocou Giarcarlo Fisichella no posto de suplente de Massa na época do acidente com a mola de Rubinho.
O Físico é um piloto mediano, tão bom quanto Trulli. Se for para apostar num substituto de último hora pro lugar de Felipe eu ficaria entre os seguintes nomes: Maldonado, Pérez, Sutil e Rosberg (esse último seria o favorito, mas é provável que sua Mercedes brigue por vitórias, o que o manteria afastado da "pequena" Ferrari em 2012).
O Autosprint viajou um pouco ao lançar a candidatura de Jarno Trulli, tentando refazer a pressão do país da bota que já colocou Giarcarlo Fisichella no posto de suplente de Massa na época do acidente com a mola de Rubinho.
O Físico é um piloto mediano, tão bom quanto Trulli. Se for para apostar num substituto de último hora pro lugar de Felipe eu ficaria entre os seguintes nomes: Maldonado, Pérez, Sutil e Rosberg (esse último seria o favorito, mas é provável que sua Mercedes brigue por vitórias, o que o manteria afastado da "pequena" Ferrari em 2012).
segunda-feira, 19 de março de 2012
A Voz do Povo
As rádios, principalmente em São Paulo, estão fazendo uma campanha a favor da flexibilização da exibição da Voz do Brasil (atualmente entre as 19h e 20h).
A mudança de horário, ou até do fim da obrigatoriedade do programa, são boas iniciativas, mas emissoras de rádio, por favor, não preencham essa hora (suada) com música e programas enlatados!!!
Se o principal argumento é de que estamos perdendo uma hora de notícias e prestação de serviços, mostrem que estão dizendo a verdade.
A mudança de horário, ou até do fim da obrigatoriedade do programa, são boas iniciativas, mas emissoras de rádio, por favor, não preencham essa hora (suada) com música e programas enlatados!!!
Se o principal argumento é de que estamos perdendo uma hora de notícias e prestação de serviços, mostrem que estão dizendo a verdade.
quarta-feira, 14 de março de 2012
Sugestão
Sabe aqueles gráficos e infográficos informativos que acompanham reportagens nos jornais??
Os jornais poderiam trocar o título "Infográfico" por "Entendeu ou quer que eu desenhe?"
Os jornais poderiam trocar o título "Infográfico" por "Entendeu ou quer que eu desenhe?"
sábado, 25 de fevereiro de 2012
Acerte o seu aí que eu acerto o meu aqui
Vai ter confusão hoje à noite.
Agora com celular, tv a cabo e computador conectados à internet a gente nunca sabe quando os relógios são automaticamente atrasados pelo horário de verão.
quarta-feira, 15 de fevereiro de 2012
A incompreensível política partidária das eleições em SP
Não faz sentido gastar neurônios para tentar entender o emaranhado político atual em torno das eleições na cidade de São Paulo. O que não faltam até o momento são jogadas surrealistas para a corrida municipal.
Os três principais partidos na disputa apresentam hoje candidatos inimagináveis há um ou dois anos, o que gera ou segue gerando crises internas e confusões na mente do eleitorado, o último a saber das decisões partidárias.
A exemplo da indicação de Dilma, o ex-presidente Lula deixou de lado as vozes do Partido dos Trabalhadores para empurrar um ministro para a chancela do voto. Depois de demover petistas históricos de concorrer, como Marta Suplicy e Mercadante, o PT preferiu concentrar esforços em promover Fernando Haddad como o candidato ideal para a metrópole.
A cúpula do PMDB foi além no exercício de ignorar os membros tradicionais da legenda. Em busca do executivo paulistano, o partido de Michel Temer vai mostrar a foto de Gabriel Chalita aos eleitores que apertarem 15 na urna eleitoral. Trata-se do mesmo escritor recém-ingresso na política que há um ano e meio levantava a bandeira do PSB.
Mas o passo mais arriscado nos jogos partidários ainda não é uma certeza. O PSDB pode ignorar Bruno Covas, Andrea Matarazzo e José Anibal numa tacada só ao lançar – mais uma vez – José Serra na corrida pela prefeitura. Visando uma porção maior do eleitorado, os tucanos correm o risco de dar pano para manga para uma porção ainda maior de eleitores – a dos anti-Serra, que irão certamente jogar no tabuleiro uma carta conhecida: a antiga ambição do ex-governador em tornar-se presidente, a despeito da administração municipal.
Quem está de fora dos intensos registros de fogo-amigo nos recantos políticos de São Paulo é justamente o mais importante elemento das eleições. Kassab assume abertamente apoio ao PSDB no caso da candidatura de José Serra, tornando-a impossível em contrário, como se todo o apoio vindo do PSD e de seus eleitores só tivessem uma explicação personalista, sem qualquer mérito ideológico, uma vez que a desistência do ex-presidenciável tornaria certa a aliança do atual prefeito com o PT.
A coligação PMDB-PT também é outro discurso ambíguo. Chalita e Haddad evitam o confronto direto, a ponto de admitir uma já costurada aliança no segundo turno, como se a derrota de um deles fosse certa.
Enquanto isso, nada se fala das questões de interesse do paulistano. O debate que se desenhou na operação da PM na Cracolância perdeu força. Até o momento, as eleições ainda são uma questão partidária. Nada de discussão política.
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