quarta-feira, 26 de junho de 2013

Come together


O que não fazer durante os protestos

1 - Perguntar na rua onde encontra uma farmácia para comprar remédio para a tal cura gay
2 - Dizer que a PEC 37 até que não era tão ruim assim
3 - Não dar vinte centavos de troco numa compra e ainda dizer “Mas é só R$ 0,20!”
4 - Abrir uma empresa de ônibus
5 - Dizer que os estádios da Copa ficaram bacanas
6 - Sair na rua justificando porque votou na Dilma. Sair na rua explicando porque votou no Alckmin. Sair na rua dizendo que votou
7 - Falar em público que o filme “V de Vingança” é chato
8 - Falar em público que a banda Legião Urbana é chata. Se bem que isso já era um problema antes
9 - Fundar um partido (ou rede, movimento...)
10 - Falar alguma frase do filme "Tropa de Elite" para comentar a troca de tiros na favela da Maré do Rio de Janeiro.  

segunda-feira, 24 de junho de 2013

A era "Reclama muito no Twitter" acabou

A impressão de que protestar não dá em nada já caiu por terra. A noção de que o brasileiro não se mobiliza quando há um campeonato de futebol perdeu de goleada. Frutos de sonhos, mobilização e lutas as manifestações em todo o país já obtiveram resultados, como a redução de tarifas de transporte, a revogação do aumento do pedágio nas estradas de São Paulo e o amplo debate sobre mobilidade em grandes e médias cidades do Brasil.

Mesmo sem lideranças, partidos políticos ou sem uma única pauta os protestos obtiveram êxito. É possível reivindicar de maneira “horizontal”, por meio de redes sociais, algo que a Primavera Árabe e os protestos na Europa e nos Estados Unidos já tinham mostrado. Faltam reivindicações mais claras, sensibilidade em alguns pontos, objetividades em outros, mas sim, os protestos trouxeram consequências positivas que vão muito além de estradas e ruas.

A política voltou à boca do povo. A democracia e os direitos do cidadão também. Mostrou-se, no mínimo, um despreparo das autoridades e da polícia em lidar com a população. A onda de mobilização fez com que aquele sujeito que sempre se opôs a manifestações repensasse seu posicionamento – alguns já até saíram para as ruas para protestar. Os atos farão ainda os atuais políticos e os futuros candidatos pensarem duas vezes antes de dissociar sua eleição do que o povo quer e do que acontece nas ruas.

Cresci ouvindo a história de que sou da geração que não sai da frente do computador, que só "reclama muito no twitter"

Tenho 24 anos e cresci ouvindo a história de que as Diretas Já e os Caras Pintadas contra o Collor foram os últimos movimentos politizados. Depois disso veio uma maré de conformismo e alienação. Uma geração que não sai da frente do computador. Por muito tempo ouvi dizer que era da geração que “reclama muito no twitter” e só. Por muito tempo realmente foi assim, mas isso acabou.

Como sempre acontecem quando se percebe um fato histórico, tenta-se descobrir como tudo  começo, quais as razões e consequências. Discordo de algumas fórmulas quase matemáticas que vi por ai “explicando” o passo a passo de revoltas, do tipo Insatisfação + Repressão policial = Revolução, ou fórmula cíclicas em que a História sempre se repete. São teorias, não leis. Mesmo assim, exponho aqui as minhas teorias.

Em 2010 Tiririca recebeu mais de um milhão de votos. Era um inconformismo sem rosto definido, mas com o recado de que a política tradicional não agradava. 

COMO COMEÇOU?

Em 2010, durante as eleições, o “Fla x Flu” entre Dilma x Serra, PT x PSDB parece ter se repetido com mais vigor do que antes. Surgiu ainda uma terceira via representada pela Marina Silva. Além disso teve a eleição de Tiririca. O palhaço recebeu mais de um milhão de votos para Deputado Federal, num sinal de que o brasileiro, ou ao menos o paulista, não confia mais em partidos políticos, nem nos candidatos de sempre. Ninguém ligava para o PR, nem para a coligação partidária em que ele ajudou a eleger outros representantes do povo. Era um inconformismo sem rosto definido, sem reclamações claras, mas com o recado de que a política tradicional não agradava.

Mesmo com a vitória do PT e com uma aprovação inédita de Dilma Rousseff, o apoio da população ao julgamento do Mensalão e a ideia de faxina nos primeiros meses do governo deixaram clara a insatisfação com o PT. A esperança de parte do eleitorado em se ver representada pela PSDB, DEM e PPS se mostrou inócua com a inatividade dessa oposição. O livro Privataria Tucana virou best-seller e Demóstenes Torres passou de herói a vilão. Tudo isso se misturou. 

Veio então o desejo popular de fazer do presidente do STF um candidato à eleição presidencial. O Judiciário, único poder em que não escolhemos diretamente representantes, virou a menina dos olhos do povo em detrimento ao Legislativo e o Executivo. Depois vieram (ou melhor, retornaram) Sarney e Renan Calheiros, que fazem do Senado quase uma propriedade privada. Leis polêmicas estavam na fila para aprovação quase certa. E mais ainda: um homofóbico e racista foi eleito presidente da Comissão de Direitos Humanos da Câmara. A revolta a tudo isso se misturou num liquidificador chamado Facebook.

Perdeu-se a esperança na situação e na oposição. Renan e Sarney voltaram e um homofóbico foi eleito presidente da comissão de Direitos Humanos. 

PARTIDARISMO

Boa parte do povo não se vê representada por partidos políticos. No meu trabalho como jornalista, quando cubro manifestações população (com exceção dos atos trabalhistas, cheios de bandeiras de siglas de esquerda) os líderes ou representantes da mobilização se apressam em avisar “Não sou de nenhum partido! É importante lembrar que esse movimento não tem líder. Aqui não estamos defendendo nenhum candidato.” Parece clara a ligação que as pessoas fazem entre políticos e oportunismo ou ao menos, em falta de diálogo com a população.

Mesmo assim, não compreendo a expulsão de partidos políticos das manifestações. Um movimento apartidário é ótimo, mostra de que há receio em se recriar líderes populistas que poderiam, futuramente se tornar corruptos, saindo da contestação para a manutenção do poder (como aconteceu com PT, PSDB e PMDB). Mas um movimento anti-partidário é perigoso, meio caminho para uma ditadura. 

Durante protestos em São Paulo, integrantes de partidos políticos foram expulsos. São siglas que há muitos anos vêm lutando pelo passe-livre e que em eleições recebem um punhado de votos, mas que se recusam a desistir ou a fazer coligações obscuras. Não me parece justo expulsar das ruas quem há muito tempo estava lá empunhando o alto-falante e cartazes pelo passe-livre.

Não parece justo expulsar das ruas partidos que há muito tempo estavam lá, empunhando cartazes pelo passe-livre. 

Existe no movimento uma espécie de apartidarismo quase anárquico, mas provavelmente um anarquismo involuntário. Pouquíssimos que vão às ruas se inspiram no anarquismo europeu do início do século passado. 

O personagem de V de Vingança, presente em máscaras remete à revolta contra governos corruptos (na história em quadrinhos e na historia real que a inspirou o personagem tenta explodir o parlamento inglês). A face ganhou um novo significado com o difuso e variado grupo Anounymous, que promove invasões cibernéticas a sites de governos e de empresas classificadas como representantes da corrupção ou do status quo (manter tudo como está).

Com a noção simplista de que política é algo ruim, de que Congresso é uma casa de imoralidade, promovem vandalismo injustificado. Quebra-se um patrimônio público, que terá o conserto pago pelo povo. Promove-se ainda a luta, às vezes irracional, contra a polícia, formada por trabalhadores, homens que cumprem ordens e que se expõe de maneira inacreditável durante os protestos, sendo muitas vezes (do mesmo modo que manifestantes) são taxados de brucutus por causa de uma minorias que usa spray de pimenta em inocentes e que não merecem a farda que vestem.

PROPOSTAS E RESULTADOS

Existe a falta de informação em meio aos protestos com pedidos sem cabimento e noções vagas como marcha contra a corrupção. E as propostas? As do transporte deram resultado, principalmente porque já tinham rumo. A oposição à PEC 37, que limita poderes de investigação do Ministério Público também já gerou recuos. Está na hora de propostas claras nas outras áreas. Saúde e educação melhor, claro, mas como? Contra a corrupção... ótimo, mas como?

É hora de falar em reforma política, aquela que políticos defendem, mas que não põem em prática

Está na hora de falar claramente em reforma política. Aquele assunto que todos os políticos defendem (ou dizem), mas que nunca põem em prática. Nenhum partido te representa? São mais de trinta? Eles dizem ter uma ideologia que não seguem? Ou prometem uma coisa e fazem outra? Quem tal reivindicar diminuição dos salários? Fim de coligações? Limitação de mandatos de deputados? Fim de reeleição? 

É hora também de falar claramente em qualidade de serviços públicos. Em transparência efetiva de informações.

Reivindicações mais claras e pautas definidas vão chegar e o lado inconsequente das manifestações tende a perder força. O primeiro passo foi dado. As manifestações “contra tudo que aí está” foram o ponto de partida.


  

sexta-feira, 19 de abril de 2013

Previsões infalíveis

Sabe aquelas frases geniais no meio de um artigo ou uma manchete muito bem bolada? Na verdade algumas dessas sacadas já estão prontas antes mesmo do fato acontecer... E eu provo isso com duas apostas!

- Na primeira polêmica em torno do Papa Francisco, com críticas da opinião pública um renomado comentarista escolherá o título:

PAU QUE DÁ EM CHICO, DÁ EM FRANCISCO

- Se o presidente da Venezuela Nicolás Maduro renunciar ou for deposto, não tem outra:

CAIU DE MADURO

Bom, para conferir é só questão de tempo.

segunda-feira, 11 de março de 2013

Cadê o Rock?

Aí anunciam o Justin Timberlake no Rock in Rio 2013 e começam os comentários "cadê o rock? No que estão transformando esse evento? Um absurdo!". Detalhe: no primeiro Rock in Rio em 1985 teve Elba Ramalho e Alceu Valença...

segunda-feira, 21 de janeiro de 2013

sexta-feira, 28 de dezembro de 2012

Para compartilhar


- Cara, eu estou com um problema sério.
- Sério? Qual?
- Eu estou viciado em Facebook!
- Aff...
- Que foi?
- Não vou nem comentar.
- Se não vai comentar, pelo menos curte!

segunda-feira, 12 de novembro de 2012

Fases


Na época dos blogs todo mundo tentava mostrar como era deprimido
No Twitter, todo mundo queria resumir o mundo em 140 caracteres
Agora no Facebook é todo mundo engraçadinho!

quinta-feira, 7 de junho de 2012

...

Era tão mal qualificado que durante a entrevista de emprego alegou o direito constitucional de permanecer em silêncio.

quarta-feira, 6 de junho de 2012

Jargão

Tenho uma forte suspeita de que colunistas de política ganham mais a cada vez que escrevem as expressões "anda às turras com", "chamou fulano às favas" ou "são favas contadas".

Repara só!

Falta uma

Os telescópios que buscavam o trânsito de Vênus nesta terça-feira (05) acabaram captando o rombo do Cruzeiro do Sul.



terça-feira, 5 de junho de 2012

CPI solar

Apesar de toda a expectativa criada pela mídia e pelos astrônomos, o planeta, devidamente orientado por Márcio Thomaz Bastos, alegou o direito constitucional de passar à noite.

E essa informação que o trânsito de Vênus só volta daqui a a cem anos deixou muito paulistano com inveja.

quinta-feira, 24 de maio de 2012

De Jairo, Dadá e Carlinhos

"..."

Frase mais intrigante dita por um convocado da CPI do Cachoeira durante as sessões até agora. 

Desde 2008

Esse blog completa de hoje 4 anos de vida.

E o Facebook até agora não abriu o olho.

Francamente!

segunda-feira, 21 de maio de 2012

O Jogo do Bicho


Entenda quem é quem no Jogo do Bicho do CPI do Cachoeira:

Avestruz: é aquele que defendia Demóstenes e agora prefere esconder a cara no chão.

Cachorro: é o melhor amigo do homem. Até foi laranja numa empresa do homem.

Cobra: é que nem a CPI, você sabe exatamente como começa. E sabe exatamente como acaba.

Coelho: está escondido na sua toca porque a qualquer momento pode começar a temporada de caça a ele. Uma espécie que se reproduz cada vez mais.

Cavalo: jura que a ligação telefônica que o compromete não passa de um trote

Elefante: tem orelhas gigantes, que escutam até ligações que não estavam nos planos, o que faz com que a defesa entre com uma ação no STF pedindo ao invalidação do inquérito.

Galo: jura que o sol só nasce porque ele canta. Jura que a CPI só existe por causa dos seus esforços.

Jacaré: é o partido que fica parado. Passa um bom tempo lá parado inerte. Quando menos se espera, não faz nada.

Pavão: é o integrante da CPI daqui a uns meses, pronto para mostrar como foi ativo e importante na CPI durante as eleições.

Vaca: (amarela) é o jogo que Cachoeira vai fazer na CPI, com grandes chances de vencer.

domingo, 20 de maio de 2012

O que eu ia fazer mesmo?

Abrir uma nova guia no Explorer, Google Chrome ou Firefox e depois tentar lembrar porque fez isso é a versão moderna de abrir a geladeira para pensar.

Paulistices


Moro em São Paulo há mais de dois meses, uns 80 dias que já me valeram uma volta ao mundo, menos pelas aventuras do livro de Júlio Verne e mais pela quantidade de culturas e de povos que já vi pela cidade.

Fora o sotaque nordestino bem mais comum que o paulista, nas ruas vejo grupos de africanos conversando num idioma que eu não faço a menor ideia qual seja, japoneses, chineses e boliviano, sendo que os primeiros são os que mais me intrigam. O que faz uma pessoa arriscar a vida noutro lugar que usa outro alfabeto e que fala um idioma completamente diferente? É a crise. Claro, sem contar os turistas que vivem olhando para cima com suas máquinas fotográficas e para trás procurando os colegas de excursão mais lentos.

São Paulo mistura uma tecnologia que eu nem imaginava que fosse ver com um recorte do passado que eu pensava não existir mais. Há televisões em ônibus (na verdade passam slides, mas já um primeiro passo) exposições interativas e ainda existissem engraxates e lojas de máquinas de escrever. Sim, só de máquinas de escrever.

Eu não fazia ideia de quantos mendigos existiam em São Paulo. Vê-se até famílias inteiras nas ruas vestindo trapos e com um mau cheiro que se percebe há uns dois ou três metros de distância. Impossível não constatar: não se vê muitos cães no centro da cidade porque a concorrência com seres humanos por comido é desleal aos irracionais.

Por aqui se acha de tudo. Sem procurar, tropeça-se uma banda. Elas que são tão raras em Bauru. Há também uma efervescência política na Avenida Paulista, marchas, paradas, megafones na Praça da Sé.

O caminho pelas ruas do centro é uma sequência de abordagens, perguntas e afirmações. Vai comprar ouro? Eu leio sua mão, trago a mulher amada. O demônio está entre nós. Amigo, almoço por quilo é aqui. Tem um real? Onde é a Boa Vista?

Nas ruas ainda se vê emos e metaleiros, mas são mais comuns aqueles que misturam calça jeans, camisa branca com algum desenho ou frase, cabelos coloridos, jaqueta xadrez, óculos de armação grossa e de cor viva, ou com calça xadrez, camisa colorida, jaqueta jeans, ou dois desses quatro itens. Ou todos e mais alguma coisa. São de tantas tribos, muitas vezes de mais de uma. Ou às vezes de nenhuma. 

São Paulo bem vale uma foto.